Nov 30

Não sei se com vocês também acontece de, por vezes, o barrilzão ficar se sentindo meio deprimido, meio esquecido no canto. Ah, claro! Para alongar MMII ou dar uma gostosa deitada em DV ele é sempre lembrado. Mas na hora de colocá-lo na roda com os outros equipamentos… nem sempre ele é convidado.

Hoje quero compartilhar com vocês uma opção de trabalho bem interessante apresentada no curso Coluna Viva por Isabela Moody. Ela reuniu e sistematizou muito bem vários exercícios que corriam meio soltos nos estúdios, além de criar novidades e variações.

A idéia é fazer um casamento entre o Ladder Barrel e a barra torre do trapézio ou 1/2 trapézio. Apesar de grandão, o barril é uma equipamento fácil de arrastar. Coloque-o próximo ao trapézio, de frente para a barra torre, de maneira que você possa alcançá-la facilmente.

Posição inicial para flexão/extensão e gatos: Apoie os pés na escada do barril enquanto descarrega o peso da bacia no arco do barril. Este apoio da bacia deve ser com a descarga de peso no triângulo cristas ilíacas e púbis. É preciso que, sem apoiar as mãos em nada, você possa se manter com o corpo erguido (tronco alto, abdome fora do barril). Não por muito tempo, mas que essa posição esteja clara. A parte anterior das coxas também deve estar firme no barril como se fossem raízes externas sobre a terra.

Posição definida, alcance as mãos na barra torre e, antes de inicar os movimentos da coluna, faça um pouco de elevação e depressão de escápulas (mantendo o tronco paralelo ao solo), para compreender que, a partir da depressão o braço estendido continua a querer se aproximar do tronco que se ergue (bastante ação do tríceps). É como se o tronco e o braço fossem hastes de um compasso que querem fechar ou abrir, mas sempre com resistência. Deixe sua axila ativa e seu pescoço longo e solto. Lembre-se que a intenção não é empurrá-la mas receber dela suporte, assistência.

Pode-se inspirar indo para a extensão mantendo firme o púbis no barril enquanto desliza o cóccix para dentro em direção a ele, ativando o assoalho pélvico. Desta forma o sacro ficará mais enraizado e permitirá que a coluna se espreguice com espaços entre as vértebras e sem sobrecarga excessiva para a musculatura global da lombar (mais trabalho de musculatura profunda, intervertebral).

Quando descer para a flexão, lembre-se de organizar seu centro mantendo uma relação entre as costelas e cristas ilíacas. Desta forma não haverá sensação de peso no estômago. A partir desta movimentação inicial, comece a brincar: suba em extensão e mergulhe em flexão já subindo novamente em extensão como se fosse um golfinho. Experimente também o movimento oposto: suba em flexão e desça fazendo a extensão da coluna. Lembre-se que a cabeça deve acompanhar o movimento como se fosse uma última (ou primeira) vértebra da coluna.

Mais uma sugestão na mesma situação são as flexões laterais. Ficam aí as imagens como sugestão.

Autor: Silvia Gomes, educadora física especialista em Biomecânica e instrutora de Pilates Para saber mais sobre o trabalho da autora, acesse www.silviagomes.com.br e www.pilatespaco.blogspot.com

ladder barrel + barra torre 1

ladder barrel + barra torre 1

Ladder barrel + barra torre 2

Ladder barrel + barra torre 2

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Nov 12

O treino de um instrutor de pilates é mais difícil do que você imagina. Requer algumas características pessoais que nem todos nós temos. Ser bom no Pilates nem sempre garante ser um bom instrutor de Pilates.

Entender as reais necessidades de um treinamento para instrutor de Pilates lhe ajudará a decidir se esta é a carreira apropriada para você. A primeira coisa para ser um instrutor é curtir Pilates. Se você gosta e tem estudado por alguns anos as chances dessa ser um boa carreira para você são grandes. Pense nas qualidades de seu próprio instrutor e como estas qualidades fazem sua aula ser agradável.

O método é baseado em princípios básicos como concentração, alinhamento, respiração, fluidez de movimento e cordenação. Se você possui alguns destes princípios e tem consciência que o Pilates depende desses princípios, então você tem um bom entendimento sobre o que é Pilates.

Habilidades pessoais

Embora o treinamento para se tornar um instrutor envolva aprender os movimentos do Pilates, é preciso saber muito mais que isso para ser, de fato, um instrutor. Um instrutor trabalha com pessoas, habilidades de relacionamento, compreensão, tato e didática são importantes para quem pretende ensinar.

Um profissional não pode esperar que todas as pessoas serão fáceis de lidar. Sempre haverá clientes que necessitam de maior paciência, de serem encorajados e apoiados durante as aulas.

Um curso de formação básica em Pilates não é suficiente para ensinar uma turma. Embora você possa ter uma formação em Mat Pilates, é necessário manter-se atualizado e buscar o máximo de conhecimento que lhe ajudará a desenvolver suas habilidades e assim, oferecer aos seus alunos o melhor em Pilates.

Depende de você ir atrás do melhor para poder oferecer o melhor a seus alunos. Isto significa ter uma boa compreensão do uso de todos os equipamentos e ser capaz de modificar os exercícios para atender às necessidades especifícas de cada aluno / cliente.

Além do treinamento de Pilates é interessante ter uma boa idéia sobre a ciência do esporte. Não é  preciso ser diplomado nisto, mas seria útil. Uma dica importante, antes de se tornar um instrutor, é assistir a aulas de outros bons profissionais, periodicamente, para observar a dinâmica e os processos de uma aula.

Ao buscar um centro de treinamento, procure referências, observe os profissionais, o tempo de ensino e os equipamentos e acessórios utilizados durante o curso.  Boa sorte!

fonte: http://www.nutritionweightbeauty.com/pilates/pilates-training

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Sep 28

Hoje vamos estudar um pouco as flexões torácicas. Exercício largamente utilizado em todos os ambientes da academia seja na Musculação, salas de Ginástica e estúdios de Pilates e, raramente, feito (e ensinado) com precisão.

É importante lembrar que as flexões torácicas (e cervicais) são o início de todos os rolamentos completos como  roll-up, teaser, neck pull etc.

executando (e ensinando) corretamente o exercício abdominal

executando (e ensinando) corretamente o exercício abdominal

Prática:
Inicie o movimento deitado, braços ao longo do corpo sentindo os 3 pontos de alinhamento da coluna neutra no solo (crânio, torácica e sacro). Vamos manter as pernas flexionadas com pés paralelos na largura dos ísquios. Sinta seus ossos das pernas bem paralelos e seus pés firmes no solo. Pode-se colocar uma bola entre as pernas

Inspire suavemente pelo nariz e, enquanto expira longamente pela boca, eleve os dois braços paralelos e longos flexionando os ombros enquanto desce as costelas mantendo a relação destas com a bacia , estabilizando a cintura escapular e a coluna torácica. Quando os cotovelos estiverem alinhados com as orelhas flexione-os e coloque suas mãos atrás da cabeça.

É muito importante organizar esta posição inicial. As mãos estão atrás da cabeça, na base da nuca e fazem uma tração suave como se fosse fazer um coque com os cabelos. Em oposição, os ombros estão baixos com as escápulas acopladas nas costas. O úmero e o antebraço tracionam em direções opostas de forma que a cervical fica alongada e a cabeça pesada nas mãos. Gosto da imagem da estrutura da pipa com seus fios estirados nas pontas das varetas.

Os úmeros ficam num ângulo que dá continuidade as escápulas e clavículas até se projetarem para fora pela ponta dos cotovelos. É como se formássemos com os braços e clavículas uma canoa de ossos.

Inspire suavemente e, enquanto expira sentindo o peso do sacro no solo, ative o assoalho pélvico e, no amaciar do esterno e descer das costelas, abaixe suavemente o queixo flexionando levemente atlas e áxis e deixe a flexão continuar por cada vértebra até que ombros e a parte alta das escápulas saiam do chão. Cada articulação entre as vértebras flexiona apenas um pouco.

A cabeça segue pesada nas mãos e a musculatura abdominal se responsabiliza por elevar esta estrutura de braços e cabeça para cima. O apoio do sacro permanece constante assim como a lordose lombar. A bacia desta forma está plana com púbis e cristas ilíacas alinhadas. A ativação do transverso “espalha” a musculatura abdominal fixa nesta região impedindo o “pop” (projeção anterior) do reto abdominal.

Na descida é importante continuar tracionando a nuca para longe e ombros para baixo enquanto mantém certa organização nas costelas. Caso contrário elas subirão juntamente com a coluna que se afastará do solo e perdermos assim a chance de fazer um bom alongamento axial nessa região.

P_set_282jpg

Erros comuns:
Trazer demais a cabeça puxando-a com as mãos/braços exagerando na flexão, sobrecarregando a cervical.
Jogar a lombar no solo retificando-a.
Elevar os ombros.
Descer hiperextendendo a cervical (ao invés de deixá-la neutra).
Abrir as costelas na descida perdendo o ponto de apoio da torácica.
Fazer o movimento rápido e mecânico escorregando os ossos dentro da pele, perdendo a estabilidade dos pontos de apoio.
Durante a flexão não ativar o TV permitindo que o reto forme um “bolinho”.

Algumas sugestões e dicas possíveis:
Pressione um pouco a cabeça na mão e a mão na cabeça antes de subir para despertar essa relação.
Sugira ao aluno que brinque com o peso da cabeça sem nenhuma ativação abdominal (mas mantendo a organização dos ombros)
Coloque a mão fechada entre o esterno do aluno e seu queixo. No início da subida ele sentará o queixo nesta mão e enquanto sobre, deverá manter essa pressão sem aumentá-la nada!
Se houver aumento da pressão a cervical está passando do ponto de sua flexão.
Lembre ao aluno que depois da cabeça ele deverá tirar a parte alta das costas do solo e não continuar trazendo a cabeça.
Uma imagem bacana usada por Rafael Spíndola, excelente educador da Physio Pilates, é a da concha de sorvete que cava entre as cristas ilíacas, esculpe essa região, durante a flexão.

O paninho ajuda de duas formas que estão descritas na postagem paninhos de novembro de 2007 - http://pilatespaco.blogspot.com/2007/11/paninhos.html

É possível fazer a flexão sem as mãos para entender o movimento. Eu recomendo fazer poucas (mesmo!) repetições porque a cabeça é muito pesada e os alunos andam chegando com muita tensão no pescoço e retificações cervicais. É mais importante aprender a ativar o centro relaxando essa região (daí a ajuda das mãos/braços).

Lembrem-se também que, na descida, podemos utilizar a expiração, inicialmente, para ensinar a abaixar as costelas, mas o padrão é inspirar descendo mantendo costelas organizadas enquanto relaxa numa ação excêntrica abdominais, intercostais e relaxa o assoalho pélvico.
Expiração e ativação do CORE são no momento da flexão.

Um último detalhe: quase sempre quando ese movimento é feito de maneira correta, a musculatura treme!!

Autor: Silvia Gomes, educadora física especialista em Biomecânica e instrutora de Pilates
Para saber mais sobre o trabalho da autora, acesse www.silviagomes.com.br e www.pilatespaco.blogspot.com

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Aug 28
Garantindo o sucesso das extensões de coluna

Garantindo o sucesso das extensões de coluna

Como já comentei outras vezes em postagens aqui no blog, as extensões, assim como as flexões laterais, tendem a intensificar as curvas que acompanham o sentido do movimento executado.

A lombar e a cervical são duas lordoses, ou seja, são duas curvas em extensão no plano sagital.

Quando sugerimos ao aluno fazer uma extensão da coluna vertebral, a tendência é vermos um aumento dessas lordoses. Em geral vemos a cifose ser “erguida” pela lordose mantendo sua forma. Nesse caso, os eretores espinhais profundos das vértebras desta região não são ativados.

E qual é o objetivo do exercício: distribuir o movimento ao longo de toda coluna vertebral promovendo extensões em cada segmento. Destaque para a cifose que é a curva que tende, ao longo do tempo, a ver aumentada sua flexão colaborando para uma má postura.

Uma sugestão que pode facilitar uma boa extensão completa, com alongamento axial eficiente, é despertar os eretores espinhais da região torácica primeiramente e, num segundo momento, realizar a extensão completa.

Despertando a torácica:

Massagear a região torácica com uma bolinha de tênis, fazer uma percussão com os dedos na região, bater suavemente com um pequeno bastão nas espinhosas torácicas, podem ser bons “despertadores” locais.

Para garantir a extensão torácica podemos neutralizar a lombar provocando uma retificação: posicionar-se de joelhos ou sentar-se pode ser uma estratégia. A intenção é deixar a coluna lombar estabilizada enquanto estendemos a torácica.

Dicas verbais eficientes: espreguiçar as clavículas para fora, passar o peito na frente dos ombros, deixar as escápulas que estabilizadas empurrarem o esterno para cima, encostar seu coração e pulmões na parte interna da frente do peito, etc.

Quando a torácica estiver bem acordada, podemos então passar para uma extensão completa em decúbito ventral com rolo, na cadeira, trapézio, barril, qualquer opção do ambiente de Pilates.

O importante é que o alongamento axial esteja realmente presente e que o aluno sinta que sua extensão é formada por uma soma das extensões de cada uma de suas vértebras.

Autor: Silvia Gomes, educadora física especialista em Biomecânica e instrutora de Pilates
Para saber mais sobre o trabalho da autora, acesse
www.silviagomes.com.br e www.pilatespaco.blogspot.com

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Aug 19
Centro de Força: nosso guindaste pessoal

Centro de Força: nosso guindaste pessoal

Uma boa opção para o instrutor verificar se a estabilização do centro está ocorrendo de forma adequada é acompanhar o peso dos membros do aluno.

Vamos imaginar um guindaste que sustenta um objeto pesado no ar e começa a descê-lo em direção ao solo. Se tivermos a oportunidade de colocar nossa mão sob o objeto vamos nos dar conta que ele está leve, que toda a tração está na corda.

Caso contrário o objeto estará caindo ou descendo sem o controle necessário .

Muito bem, passando esta imagem para nossa prática, vamos considerar que o íliopsoas juntamente com outros flexores do quadril, é o braço do guindaste e o objeto é nossa perna.

Se houver uma boa estabilização do centro, enquanto a perna desce, ou estende, abrindo o ângulo da articulação coxofemoral, os flexores do quadril irão alongando numa ativação excêntrica enquanto nossa coluna e bacia (nesse caso, os pontos fixos dos flexores) estarão paradas, estáveis, assim mantidas pelo CORE.

Nesse momento o instrutor poderá colocar sua mão sob braços ou pernas, o que estiver sendo mobilizado, e perceber se há peso nesse membro.

Se isso ocorre é sinal de que existe falta de controle no movimento, a estabilização não está adequada e a dissociação não está ocorrendo da maneira que deveria. Dessa forma a coluna e bacia estão desorganizadas e recebendo sobrecarga indevida.

Na imagem de Eric Franklin, temos a comparação do psoas como uma vara de pescar. É preciso tracionar a vara até que a linha tenha uma tensão que supere o peso/força do peixe para que ele saia da água. Caso contrário, ao invés do peixe sair da água, é a vara que vai parar dentro dela.

E, no caso do corpo, quem será arrastada junto com a vara (iliopsoas) será nossa coluna vertebral.

Sugestão de orientação verbal para o aluno/paciente:

Inspire suavemente pelo nariz permitindo que suas costelas expandam como um guarda chuva que abre um pouco. Enquanto expira longamente pela boca abaixando o guarda chuva, eleve o ânus e ative toda circunferência de seu centro, sentindo sua musculatura abdominal tracionar sua bacia de maneira que ela e suas costelas estabeleçam uma relaçao firme.

Inspire novamente expandindo suas costelas e, enquanto expira ativando seu centro enfatize a relação entre costelas e cristas ilíacas como se elas estivessem parafusadas com uma placa quadrada de metal na face anterior do abdome.

Inspire novamente e enquanto expira, mantendo essas imagens vivas no seu corpo, desça ou estenda lentamente em direção ao solo até que termine sua expiração ou até o ponto que sua estabilidade permitir, ou seja, não haja nenhuma sobrecarga na sua coluna.
Sugestão de orientação táctil:
As mãos do instrutor estimulam a movimentação das costelas fazendo o movimento do guarda chuva.
As mãos do instrutor apoiam suavemente sob as pernas do aluno acompanhando seu gesto. As pernas devem flutuar sobre essa mão.

Coloquem os guindastes de força de seus alunos para funcionar com eficiência.

Autor: Silvia Gomes

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Aug 13
Especificidade de Treinamento com Pilates

Especificidade de Treinamento com Pilates

No nosso dia a dia encontramos diferentes tipos de clientes. Alguns pedem nossos serviços por serem sedentários e procurarem melhorar o estilo de vida. Outros são esportistas ou praticantes de esportes e querem realizar um trabalho de treinamento e prevenção de lesões adaptado à modalidade.

O que devemos entender é que muitas vezes estes cliente já fazem um trabaho intensivo de treinamento específico, mas outras vezes o cliente considera como treino somente o jogo. Por exemplo, os golfistas:
muitos deles jogam três vezes por semana porém não fazem treinamento físico. A unica atividade é o jogo propriamente dito. Nestas situações o Pilates entra como uma ferramenta de treino e não somente de prevenção de lesões.

A prática por si só de um esporte produz adaptações fisiológicas e bioquímicas que melhoram o rendimento nas habilidades específicas do esporte praticado. Por isso quem nada é adaptado para nadar, quem esquia é adaptado para esquiar e quem joga futebol de salão é adaptado para o futebol de salão.

Não podemos esperar que uma pessoa que nada muito bem, por exemplo, vá jogar futebol bem só por serem duas atividades aeróbias. A natureza das alterações ocorridas no corpo vai variar com a intensidade, duração e principalmente do modelo de treinamento.

Para qualquer atleta, quanto mais ele praticar sua modalidade maior ganho fisiológico ele terá. Porém, se não existe possibilidade de manter a frequência na prática, o treinamento físico específico é essencial para evoluir na preparação. Por exemplo, um cliente que esquia durante o inverno na America do Sul, não consegue praticar o ano todo na neve, porém um treinamento adaptado ao esqui, durante os meses de calor, fará com que sua habilidade seja mantida ou mesmo melhorada até a volta da temporada.

“A especificidade do treinamento é importante na aquisição de uma habilidade esportiva, porque o envolvimento em um esporte produz melhoras na coordenação de grupos musculares específicos”, afirma Valdir José Barbanti, autor do livro “A biodinâmica do movimento humano e suas relações interdisciplinares”.

Com o Pilates podemos auxiliar clientes que não podem treinar sua modalidade constantemente ou querem ter um ganho maior na performance. A vantagem do Pilates é que os exercícios são funcionais e seguros. Então o treino pode ser extremamente eficiente para qualquer esporte e sem risco de provocar lesões.

O trabalho que vai ser desenvolvido com um atleta varia com a modalidade. Continuando o exemplo do esqui, as habilidades que envolvem esta modalidade são: equilibrio, força e resistência de membros inferiores, força de centro e extensores da coluna e membros superiores. Assim, um treinamento com Pilates poderia incluir exercícios de agachamento no rolo ou na Bosu Ball, o swimming para as costas, o hundred para a força de centro e por aí vai.

O importante é manter em conta a especificidade do treinamento, ter criatividade no desenvolvimento das aulas e estar sempre informado sobre quais são as lesões típicas do esporte para trabalhar em tentar evitá-las.

Fonte: Africa Alarcon, instrutora de pilates especializada em treinamento funcional para golfistas. Contato: africa@golfepilates.com

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Aug 06

Uma das percepções, tomada de consciência, mais importantes que devemos estimular em nossos alunos quando pensamos em saúde da coluna vertebral, em higiene discal, é a da articulação coxofemoral.

Os quadris, a conexão entre o fêmur com sua grande cabeça redonda e seu encaixe no acetábulo são uma zona que costuma carregar muita tensão o que leva, muitas vezes, a perda de sua capacidade de deslizamento e dissociação.

Quando esse deslizamento fica comprometido duas regiões são especialmente castigadas: o joelho e a coluna vertebral.
É preciso que estimulemos a consciência dessa articulação de forma que o aluno compreenda que ela pode ( e deve) se articular, dobrar, no próprio eixo, assim como joelhos e cotovelos.

Quando precisamos agachar para pegar algo no solo, é essa articulação, juntamente com as demais dos membros inferiores, que devem afrouxar, ceder para permitir que o movimento ocorra de maneira adequada e não a coluna. Esta deverá permanecer ativa sim, mas estabilizada.

Eric Franklin tem uma imagem muito feliz do fêmur comparado a um taco de sinuca que “bate” para dentro da bacia. Essa imagem é fantástica e facilita muito o encontro dessa percepção de deslizamento coxofemoral.

Algumas práticas e dicas:

(1) Deitados em DD, tracionar uma perna flexionada para o corpo pensando em dobrar a região do quadril, mantendo sacro pesado no solo, presença da lordose lombar. Relaxar flexores do quadril, a mão traciona o fêmur.

(2) Deitados em DD, trazer as duas coxas para próximo do tronco. Pressionar o fêmur de ambos os lados em direção à sua articulação fazendo com que empurrem o sacro para o solo, mantendo o arco lombar presente, sentindo o peso do sacro no solo.

(3) Durante o agachamento, imaginar que o fêmur “sinuca” para dentro de sua articulação de modo que a sua cabeça deslize, cave dentro da bacia, mantendo o peso do sacro no solo. Em relação ao joelho o fêmur desliza por trás dele, sem pressionar a patela para frente.

(4) Estimule seus alunos a sentarem posições de flexibilização do quadril, por exemplo, num banco baixo, em cima dos ísquios, coluna neutra. Pode-se “brincar” de “derrubar” um pouco a bacia para frente e para trás, mantendo a coluna neutra, criando movimento e lubrificação na articulação coxo femoral a partir do movimento da bacia ,com fêmur como ponto fixo.

(5) Proporcione exercícios sentados em posições não habituais como com as pernas flexionadas lateralmente (mermeid). Se precisar coloque um suporte abaixo dos íquios para aumentar o conforto.

(6) Durante exercícios em cadeia aberta (série de molas, por exemplo) visualizar sempre o fêmur cavando na bacia cheia de óleo, girando em seu próprio eixo e empurrando o sacro para baixo. Nesses casos o limite do movimento sempre será o alongamento da musculatura posterior.

É importante ressaltar que em TODOS esses exercícios, quando flexionamos o quadril , devemos pensar em afrouxar seus flexores (em especial o ílio psoas), o quanto for possível. Como um elástico que tensiona quando é tracionado e suaviza, cede, quando volta a sua posição original.
Essa ação permite que a articulação funcione de maneira adequada garantindo sua lubrificação, correta utilização da musculatura envolvida e ativação efetiva dos músculos profundos que estabilizam a coluna vertebral

O aumento da consciência da articulação dos quadris garante assim que a musculatura global suavize antes de entrar em ação permitindo que a profunda, local, trabalhe e, desta forma, a coluna seja poupada de movimentos e sobrecargas que a tirem de sua neutralidade sobrecarregando-a sem necessidade.

Autor: Silvia Gomes, educadora física especialista em Biomecânica e instrutora de Pilates.
Para saber mais sobre o trabalho da autora, acesse
www.silviagomes.com.br e www.pilatespaco.blogspot.com

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Jul 24
Pilates: surpreenda seus alunos com aulas diferentes

Pilates: surpreenda seus alunos com aulas diferentes

É comum, com o tempo, alguns alunos se dispersarem por “enjoarem” das aulas. Para evitar isso, esteja sempre atento às novidade e invente novas possibilidades de praticar os exercícios. Por exemplo:

1. Aula de Chair:
Aulas de grupo com a Chair tem se tornado um dos hits do Pilates nos estúdios internacionais. Por diversas razões que vão desde o preço unitário do equipamento ser mais baixo e o espaço necessário menor até o fato de que os exercícios são desafiadores podendo ser praticados por alunos de níveis físicos diferentes.
Apesar de utilizar menor espaço, o Pilates na Chair oferece uma gama diversa de exercícios. É possível realizar aulas com foco no trabalho de core, pernas, ombros e movimentos funcionais como escalar, empurrar e elevar.

2. Pilates para esportes:
Aulas de Pilates com treino focado em um específico esporte continuam sendo um bem sucedida estratégia de captar mais clientes. Como o Pilates pode aumentar a performance atlética, sem riscos de lesões, é fácil oferecer o trabalho para atletas e esportistas.
A chave está em o quê oferecer para cada esporte. Por exemplo, explore o trabalho de flexibilidade, fortalecimento do core e costas para golfistas. Procure maneiras de simular os movimentos utilizados em cada esporte, reproduzindo-os nos exercícios realizados nos equipamentos.

3. Acessórios divertidos:
Bolas, círculos, faixas, rolos, discos, pranchas…os acessórios oferecem uma capacidade enorme de diversificar os exercícios e logo, sua aula. Esses acessórios s/ao uma maneira divertida e mais econômica de incrementar seu programa de aulas.

4. Circuito:
Por que não oferecer uma aula de circuito com os equipamentos de Pilates? É uma maneira pouco usada, mas divertida de animar as aulas. Mas atenção, para aulas de circuito é preciso ficar muito atento nos alunos. É preciso habilidade para modificar os exercícios rapidamente, conforme o nível de cada aluno.

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Jun 22

É comum que estúdios de Pilates ofereçam uma aula experimental como cortesia aos clientes interessados em conhecer a modalidade. Esse é o momento de conquistar mais alunos. Então o importante é organizar esta aula para que seja didática e com conteúdo interessante.
 
Quando o aluno chegar para a aula, reserve uns minutos para conversar com ele e procurar saber se sente alguma dor, se veio por recomendação médica, curiosidade ou outros motivos; se pratica ou praticou atividade física e quais foram. Essa pequena avaliação lhe ajudará a ter um direcionamento em relação aos objetivos e limitações do candidato aluno.

Vamos considerar que estamos diante de um aluno clássico: não conhece o Pilates na prática, sente muita tensão nos ombros e lombalgias esporádicas, mas não apresenta nenhum problema mais severo. Já praticou Musculação e ginásticas de academia. Como a grande maioria, tem aumento da lordose lombar e aumento da cifose torácica.

O que você pode oferecer a ele em uma aula?

O mais comum é o professor optar por fazer uma série de exercícios já entrando no repertório, passeando por todas as máquinas e sugerindo correções difíceis de serem compreendidas num primeiro momento.

A sugestão aqui é a seguinte: mostrar o que o Pilates realmente tem para oferecer, de melhor, ou seja:

• elementos de estabilização da coluna vertebral com desafios de MMSS e MMI
• mobilidade da coluna em locais que não costumam se mover habitualmente (flexões lombares e extensões torácicas)
• trabalho de MMSS e MMII nas máquinas focando mais em dissociação e postura do que em força

Selecionamos alguns exemplos de exercícios:

1. Deitado no solo, um alongamento básico de MMII, um bom posicionamento em DD, verificar se precisa almofadas para apoiar a cabeça. 

2. Ponte – executar 6-8 pontes já com a introdução de uma respiração suave acompanhando o movimento.

3. Estabilizar cintura pélvica e coluna lombar com desafio de 1 MMII (1 perna), efetivamente, explicando coluna neutra e ativação centro.

4. Estabilizar cintura escapular com dissociação de MMSS para trabalhar mais o afunilamento das costelas e novamente explicações sobre coluna neutra e ativação do centro.

5. Fazer algumas flexões torácicas com a coluna neutra, alongando a cervical, de maneira correta.

6. Com o centro ativado, propomos uma extensão torácica (de preferência de joelhos para garantir o acesso da torácica).
7. Foot work no Reformer com variação de posição de pés, coluna neutra, estímulo a um ritmo respiratório fluido

8. Braços, sentado no trapézio (atenção a posição sentada em cima dos ísquios). Valorizar a dissociação de ombros. O objetivo é relaxar o trapézio e os ombros e não fortalecer nada nessa aula. 

Finalize com um gostoso rolamento com molas ou ainda uma massagem realizada com o aluno de pé, curvado de bruços sobre o Ladder, arredondando bem a coluna.

Lembre-se: o objetivo é fazer com que o aluno saia da aula com uma sensação de bem estar, corpo mais presente como um todo, especialmente o centro e a coluna vertebral. A idéia é fazê-lo sentir que o Pilates pode oferecer movimentos que vão facilitar o encontro de uma boa postura de maneira agradável.

Autor: Silvia Gomes, educadora física especialista em Biomecânica e instrutora de Pilates
Para saber mais sobre o trabalho da autora, acesse www.silviagomes.com.br e www.pilatespaco.blogspot.com

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