Aug 19
Centro de Força: nosso guindaste pessoal

Centro de Força: nosso guindaste pessoal

Uma boa opção para o instrutor verificar se a estabilização do centro está ocorrendo de forma adequada é acompanhar o peso dos membros do aluno.

Vamos imaginar um guindaste que sustenta um objeto pesado no ar e começa a descê-lo em direção ao solo. Se tivermos a oportunidade de colocar nossa mão sob o objeto vamos nos dar conta que ele está leve, que toda a tração está na corda.

Caso contrário o objeto estará caindo ou descendo sem o controle necessário .

Muito bem, passando esta imagem para nossa prática, vamos considerar que o íliopsoas juntamente com outros flexores do quadril, é o braço do guindaste e o objeto é nossa perna.

Se houver uma boa estabilização do centro, enquanto a perna desce, ou estende, abrindo o ângulo da articulação coxofemoral, os flexores do quadril irão alongando numa ativação excêntrica enquanto nossa coluna e bacia (nesse caso, os pontos fixos dos flexores) estarão paradas, estáveis, assim mantidas pelo CORE.

Nesse momento o instrutor poderá colocar sua mão sob braços ou pernas, o que estiver sendo mobilizado, e perceber se há peso nesse membro.

Se isso ocorre é sinal de que existe falta de controle no movimento, a estabilização não está adequada e a dissociação não está ocorrendo da maneira que deveria. Dessa forma a coluna e bacia estão desorganizadas e recebendo sobrecarga indevida.

Na imagem de Eric Franklin, temos a comparação do psoas como uma vara de pescar. É preciso tracionar a vara até que a linha tenha uma tensão que supere o peso/força do peixe para que ele saia da água. Caso contrário, ao invés do peixe sair da água, é a vara que vai parar dentro dela.

E, no caso do corpo, quem será arrastada junto com a vara (iliopsoas) será nossa coluna vertebral.

Sugestão de orientação verbal para o aluno/paciente:

Inspire suavemente pelo nariz permitindo que suas costelas expandam como um guarda chuva que abre um pouco. Enquanto expira longamente pela boca abaixando o guarda chuva, eleve o ânus e ative toda circunferência de seu centro, sentindo sua musculatura abdominal tracionar sua bacia de maneira que ela e suas costelas estabeleçam uma relaçao firme.

Inspire novamente expandindo suas costelas e, enquanto expira ativando seu centro enfatize a relação entre costelas e cristas ilíacas como se elas estivessem parafusadas com uma placa quadrada de metal na face anterior do abdome.

Inspire novamente e enquanto expira, mantendo essas imagens vivas no seu corpo, desça ou estenda lentamente em direção ao solo até que termine sua expiração ou até o ponto que sua estabilidade permitir, ou seja, não haja nenhuma sobrecarga na sua coluna.
Sugestão de orientação táctil:
As mãos do instrutor estimulam a movimentação das costelas fazendo o movimento do guarda chuva.
As mãos do instrutor apoiam suavemente sob as pernas do aluno acompanhando seu gesto. As pernas devem flutuar sobre essa mão.

Coloquem os guindastes de força de seus alunos para funcionar com eficiência.

Autor: Silvia Gomes

escrito por admin

Envie para um amigo

\\ tags: , ,


8 Responses to “Centro de Força: nosso guindaste pessoal”

  1. 1. Luis Eduardo Bonilha Almeida Says:

    Oi Silvia, tudo bom?
    Aqui é o Luis da Unicamp, nos formamos juntos.
    Tenho trabalhado tambem com Pilates…muito legal.
    Parabéns pelo seu trabalho.
    Luis Almeida

  2. 2. Silvia Says:

    OI Luiz!! Que enorme prazer em receber uma mensagem sua! Beijo, Siilvia,

    Em relação ao comentário anterior, está incompleto, não consigo lê-lo.

  3. 3. Helberton Lopes Says:

    Oi Silvia, tudo bem?
    Sou Fisioterapeuta de Guarapari – ES.
    Gostei muito das suas colocações sobre a importância de se ter um iliopsoas forte para proteção da coluna vertebral.
    A sugestão de orientação verbal é muito válida pois se usa uma linguagem de fácil entendimento do aluno, eu particularmente foco muito no trabalho de mobilidade coxofemural(geralmente as pessoas que atendo com dor em região lombar se encontra com hipomobilidade coxofemural e fraqueza de iliopsoas). As suas orientações verbais foram muito válidas para o entendimento dos alunos que atendo estou utilizando e obtendo bastante exito. Espero sempre poder contar com textos enriquecedores.Obrigado!

    Helberton Lopes

  4. 4. Silvia Says:

    Oi Helberton, fico feliz de poder contribuir. Apenas um comentário: na realidade a força maior nesse caso está na correta ativação do centro que mantém estável a coluna. O guindaste nesse caso seria o CORE – assoaho pélvico, diafragma, musculatura dorsal e toda família abdominal, especialmente TV. Acredito que o psoas tenha sim que estar forte mas, como você mesmo diz e eu concordo plenamente, é necessario que ele esteja móvel e com uma boa coordenação. Também acho fundamental a mobilidade desta região. Veja o link http://pilatespaco.blogspot.com/2009/05/praticas-e-dicas-para-melhorar.html
    Abraço, Silvia.

  5. 5. gislaine henke de magalhães Says:

    sou praticante de pilates há cerca de 3 anos e dias destes alguem me alertou a cerca de quem deve ser o “professor” , se alguém que fez educação física ou um fisioterapeuta. Voces podem me ajudar a entender a diferença?

  6. 6. Silvia Says:

    Oi Gislaine, procure um profissional graduado numa dessas áreas que você citou ou em Dança e que tenha especilaização em Pilates (existem cursos diversos que oferecem essa certificação). É sempre bom procurar saber sobre a experiência do profissional (sua formação, experiência etc.) Também é interessante fazer aulas experimentais em diversos lugares para ter como comparar. Abraço, Silvia.

  7. 7. Vilma Buxbaum Says:

    Silvia, acabo de “conhece-la” através de uma reportagem. Sou profª de Ed. Física, Yoga e Pilates. Fiz cursos com aparelhos e tbém só com bolas e faixas (solo). Trabalho com este último por falta de condições (ainda) de montar um stúdio completo. Moro em cidade pequena e o retorno ($) é pequeno, mas sou mto apaixonada pelo método. Gostaria de fazer um curso mais aprofundado no método. Voce poderia me indicar algum? Moro a 115 Km do Rio. Uma cidade maior e mais perto daqui é Volta Redonda, se tiver algo por aqui tbém ficaria viavel. Agradeço sua atenção, Vilma.

  8. 8. Silvia Says:

    OI Vilma, se você pretende investir em um curso relamente sério, profundo,com carga horária importante em termos de teoria e prática sugiro os da Physio Pilates, Stott Pilates, Atelier do Corpo, Corpore Pilates, Phisical Mind.. esses são cursos bastante aprofundados.. De qualquer forma SEMPRE invista em fazer aulas com alguém mais experiente que você. Praticar faz com que nos tornemos melhores professores. Conheça o pilatespaco.blogspot.com Lá é um bom lugar também para aprender coisas da prática. Beijo, silvia..

Deixe seu comentário